A desigualdade salarial entre mulheres e homens é uma realidade persistente no mercado de trabalho brasileiro. Segundo o 3º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado em abril de 2025 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as mulheres recebem, em média, 20,9% a menos do que os homens nos estabelecimentos com 100 ou mais empregados. Em valores absolutos, enquanto a remuneração média masculina é de R$ 4.745,53, a feminina chega a R$ 3.755,01.
Esse cenário vai além de uma questão de justiça social: representa um risco corporativo real. Empresas que não adotam políticas de equidade salarial estão expostas a sanções legais, danos reputacionais e conflitos internos. Entender o problema é o primeiro passo para agir de forma responsável.
O que dizem os dados: a realidade da desigualdade salarial no Brasil
O levantamento do governo federal, baseado no Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, analisou 19 milhões de vínculos trabalhistas e revelou um quadro preocupante: a desigualdade salarial piorou em relação aos relatórios anteriores. No 1º Relatório, a diferença era de 19,4%; no 2º, subiu para 20,7%. No mais recente, chegou a 20,9%.
O recorte por cargo também é revelador:
- Mulheres diretoras e gerentes recebem 73,2% do salário dos homens
- Profissionais de nível superior recebem 68,5% do salário masculino
- Trabalhadoras de serviços administrativos recebem 79,8%
A situação se agrava ainda mais quando o recorte é racial. Segundo dados da PNAD Contínua 2024, mulheres negras recebem, em média, R$ 2.864,39 — valor inferior até mesmo ao salário médio dos homens negros (R$ 3.647,97) e muito distante dos R$ 8.849,00 ganhos por homens brancos.
O que a legislação exige das empresas
A desigualdade salarial não é apenas um problema ético: é uma questão de compliance. A Lei nº 14.611/2023, que alterou o artigo 461 da CLT, determina que empresas com 100 ou mais empregados adotem medidas concretas para garantir a igualdade salarial, entre elas:
- Transparência nas políticas de remuneração
- Fiscalização interna contra práticas discriminatórias
- Disponibilização de canais seguros para denúncias
- Programas de diversidade, equidade e inclusão
- Incentivo à capacitação de mulheres
O descumprimento pode resultar em multa de até 3% do valor da folha de pagamentos, limitada a 100 salários-mínimos, além de fiscalizações do Ministério do Trabalho, que já realizou 787 ações em 2025.
Por que a desigualdade persiste mesmo com mais mulheres no mercado?
Apesar do avanço na participação feminina (o número de mulheres ocupadas passou de 38,8 milhões em 2015 para 44,8 milhões em 2024), o crescimento da remuneração não acompanhou esse ritmo. A massa de rendimentos das mulheres representa apenas 34,8% do total, bem abaixo de sua participação no emprego (40,6%).
Os principais fatores apontados pelas empresas para justificar as diferenças salariais incluem tempo de experiência na função (78,7%), metas de produção (64,9%) e planos de cargos e salários (56,4%). No entanto, especialistas alertam que essas justificativas muitas vezes mascaram estruturas discriminatórias enraizadas na cultura organizacional.
Além disso, as mulheres realizam em média 2,5 vezes mais trabalho não remunerado do que os homens, principalmente atividades de cuidado, o que impacta diretamente suas trajetórias profissionais e possibilidades de progressão na carreira.
H2: Riscos corporativos da omissão
Ignorar a desigualdade salarial expõe as empresas a riscos concretos:
- Ações trabalhistas por discriminação salarial
- Notificações e autuações do Ministério do Trabalho
- Danos à reputação institucional
- Perda de talentos femininos para organizações mais equânimes
- Clima organizacional deteriorado e queda de produtividade
Segundo o relatório, se as mulheres recebessem salários iguais aos dos homens na mesma função, R$ 95 bilhões a mais teriam entrado na economia brasileira em 2024. O prejuízo da desigualdade é coletivo — e as empresas têm papel fundamental nessa equação.
H2: Como agir: compliance, transparência e canais de denúncia
Enfrentar a desigualdade salarial requer ações estruturais, não iniciativas pontuais. Algumas medidas práticas incluem:
- Auditorias periódicas de remuneração por gênero e raça
- Definição de critérios objetivos para promoções e aumentos
- Formação de lideranças para identificar e combater vieses inconscientes
- Políticas de apoio à maternidade e corresponsabilidade parental
- Canais seguros e confidenciais para denúncias de discriminação salarial
Canais de denúncia estruturados são especialmente relevantes nesse contexto: permitem que colaboradoras relatem práticas discriminatórias com segurança, sem medo de retaliação, e dão à empresa a oportunidade de corrigir irregularidades antes que se tornem passivos trabalhistas.
A desigualdade salarial de gênero é um problema sistêmico, mas que pode, e deve, ser enfrentado no nível das organizações. Empresas que constroem ambientes mais equitativos, transparentes e seguros não apenas cumprem a lei: constroem culturas mais saudáveis e sustentáveis.
Se a sua empresa quer avançar nessa direção, contar com uma plataforma de Canal de Denúncias confiável é um passo essencial para garantir escuta ativa, transparência e prevenção de riscos. Conte com a Respeite.me nessa jornada.


